A notícia do falecimento de Suzete Alexandra Alves, conhecida por todos como Suzy, trouxe um profundo sentimento de tristeza a quem teve o privilégio de a conhecer.
Com apenas 35 anos, e a poucos dias de completar 36, Suzy partiu inesperadamente vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), deixando uma ferida difícil de aceitar na vida da mãe, Guida Freitas, dos seus dois filhos pequenos, de 3 e 6 anos, e de todos os que com ela partilharam momentos de vida.
Quem a conhecia descreve-a como uma mulher alegre, sonhadora e trabalhadora incansável. Era daquelas pessoas que pareciam conseguir multiplicar-se em várias tarefas ao mesmo tempo, sempre movida pelo desejo simples e profundo de garantir um futuro melhor para os filhos. Para muitos, era “a mulher dos sete ofícios”, alguém que nunca deixava faltar cuidado, presença ou dedicação aos que amava.
Na Bélgica, onde vivia com a família, Suzy construiu a sua vida em torno daquilo que mais valorizava: os filhos, a família e os sonhos que ainda queria realizar. A sua partida tão precoce deixa não apenas saudade, mas também aquele silêncio difícil que surge quando a vida parece interromper-se sem aviso.
E talvez seja precisamente perante dores assim que nascem as perguntas que ninguém consegue responder completamente.
Como aceitar que uma mãe tenha de despedir-se de uma filha tão cedo? Como compreender que duas crianças percam tão cedo a presença diária da mãe? E como lidar com a sensação de impotência diante de certas injustiças da vida?
A tragédia da partida de Suzy acaba inevitavelmente por nos confrontar com uma reflexão mais ampla sobre a fragilidade humana, sobre o amor de uma mãe e sobre as dores silenciosas que tantas famílias carregam sem nunca encontrar respostas claras.
Vivemos num mundo onde coexistem gestos de amor absoluto e atos de abandono incompreensíveis. Há mães que lutam diariamente pelos filhos até ao limite das suas forças. Há crianças privadas cedo demais da proteção e do carinho que deveriam acompanhar toda a infância. E há perdas que deixam famílias inteiras emocionalmente suspensas entre a revolta, a saudade e a necessidade de continuar.
Talvez existam perguntas para as quais a razão humana nunca encontrará explicação suficiente. Nem sempre quem merece permanecer fica. Nem sempre o amor consegue impedir a dor. E nem sempre a vida respeita o tempo que julgamos justo.
Ainda assim, existe algo que permanece.
O amor que alguém deixou nos filhos, na família e nas pessoas que tocou nunca desaparece completamente. Permanece nos gestos, nas memórias, nas pequenas rotinas que ficam gravadas em quem continua. Permanece na saudade.
A dor de Guida Freitas e a ausência sentida pelos dois pequenos filhos de Suzy são a prova do quanto ela foi amada e do quanto marcou aqueles que estavam à sua volta. E talvez seja precisamente aí que reside a única forma possível de resistência diante da perda: continuar a amar mesmo depois da ausência.
Hoje, familiares, amigos e membros da comunidade portuguesa unem-se em solidariedade à família, partilhando a mesma tristeza e a mesma incredulidade perante uma partida tão precoce.
Mas entre a dor e o silêncio, permanece também a memória de uma mulher que viveu para cuidar, lutar e amar. E talvez seja isso que nunca desaparece verdadeiramente: a marca silenciosa de quem amou com sinceridade.
Essa, nem a morte consegue apagar.