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Soldados armados com uniformes de camuflado e máscaras estão posicionados em cima e ao lado de veículos militares, formando uma coluna numa estrada, ilustrando o contexto de conflito militar entre Israel e Hezbollah no sul do Líbano.


Washington, 15 mai 2026 (Lusa) – Israel e Líbano acordaram hoje em Washington um prolongamento de 45 dias do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril, anunciou o Departamento de Estado norte-americano, anfitrião das negociações de paz.

No final do segundo dia de conversações na capital norte-americana, ambos os países agendaram uma nova ronda negocial para os dias 02 e 03 de junho, bem como uma reunião a nível militar no Pentágono em 29 de maio.

"Esperamos que estas discussões avancem para uma paz duradoura entre os dois países, para o pleno reconhecimento da soberania e integridade territorial de cada um e para o estabelecimento de uma verdadeira segurança ao longo da fronteira partilhada", declarou Tommy Pigott, porta-voz do Departamento de Estado, nas redes sociais.

A trégua em vigor estava à beira de expirar e tem sido marcada por sucessivos confrontos entre as forças israelitas e do grupo xiita Hezbollah, que não reconhece o diálogo entre Beirute e Telavive.

Um ataque aéreo israelita no sul do Líbano provocou a morte de três paramédicos e ferimentos graves num quarto do Comité Islâmico de Saúde, ligado ao Hezbollah, disse o Ministério da Saúde libanês.

Anteriormente, as autoridades libanesas tinham divulgado 37 feridos em ataques israelitas na região de Tiro, no sul do país, entre os quais seis profissionais clínicos, quatro crianças e nove mulheres.

Cerca de 220 elementos do Hezbollah foram mortos na última semana no sul do país vizinho, indicou o exército israelita.

Durante o mesmo período, as forças israelitas atacaram também cerca de 440 alegados alvos do Hezbollah em várias zonas do sul do Líbano, acrescentou o exército em comunicado.

O Hezbollah reivindicou, pelo seu lado, um bombardeamento com drones contra um quartel no norte de Israel, além de outras operações contra tropas israelitas perto da fronteira entre os dois países.

Neste novo conflito no Líbano, o exército israelita estabeleceu uma "linha amarela" no sul do país, a cerca de 10 quilómetros da fronteira, e, segundo com o acordo de cessar-fogo, reserva-se "o direito de tomar, a qualquer momento, todas as medidas necessárias em legítima defesa".

Durante a ronda negocial de dois dias, a delegação de Israel foi composta pelo embaixador nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, e pelo vice-conselheiro de Segurança Nacional, Yossi Draznin, enquanto a parte libanesa foi igualmente representada pela embaixadora em Washington, Nada Hamadeh, e pelo enviado especial Simon Karam.

Os Estados Unidos destacaram o conselheiro do Departamento de Estado Michael Needham e os embaixadores em Israel, Mike Huckabee, e no Líbano, Michel Issa.

Israel e Líbano, que não têm relações diplomáticas, tinham realizado anteriormente duas rondas de diálogo inicial na capital norte-americana, em 14 e 23 de abril, que resultaram no acordo de cessar-fogo.

No entanto, Israel continuou a bombardear o Líbano e as suas operações terrestres no sul do país, enquanto o Hezbollah prossegue os ataques contra o território israelita e as suas tropas.

O Presidente libanês, Josef Aoun, avisou, na véspera desta série de negociações de paz, que os ataques israelitas "estão a minar os esforços para consolidar a cessação das hostilidades".

O Hezbollah opõe-se a estas conversações e o seu líder, Naim Qassem, ameaçou que vai tornar os confrontos "num inferno" para Israel, que por sua vez avisou repetidamente as autoridades de Beirute que, se não desarmar nem controlar as milícias libanesas, irá fazê-lo no seu lugar. 

O Líbano foi arrastado pelo grupo xiita apoiado e financiado pelo Irão para a guerra desencadeada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra a República Islâmica, ao reatar, no início de março, ataques aéreos contra o território israelita.

Israel respondeu com bombardeamentos intensivos no Líbano e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do país vizinho durante o conflito anterior.

Desde 02 de março, pelo menos 2.951 pessoas foram mortas, incluindo cerca de 200 crianças, segundo o último balanço do Ministério da Saúde libanês, em resultado dos ataques israelitas, que provocaram também mais de um milhão de deslocados.

As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra de Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e que foi interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão. 

Nas negociações indiretas com Washington, Teerão exige que qualquer trégua no conflito no Golfo inclua também o Líbano, ou seja, que Israel cesse os ataques ao Hezbollah.


 



 

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